Daniel Almeida considera orçamento secreto às vésperas das eleições um escândalo

Por: Eliz Brandão, TV Vermelho


Considerado como um dos mais influentes parlamentares do Congresso, Daniel Almeida que está no quinto mandato como deputado federal (PCdoB-BA), concedeu uma entrevista exclusiva ao Vermelho.


Em entrevista à TV Vermelho na noite desta terça-feira (16), o deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA), candidato a reeleição, criticou a política econômica do governo Bolsonaro, de desmonte e privatização de estatais e classificou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) sancionada pelo presidente da República Jair Bolsonaro com um orçamento secreto bilionário, às vésperas das eleições, como um “escândalo”.

“A LDO mantém o perfil do que foram as propostas orçamentárias do governo Bolsonaro, deixa os pobres fora do orçamento e privilegia a relação fisiológica, esse absurdo que é o chamado “orçamento secreto”, considerou o deputado.


Para o parlamentar, “é escândalo orçamentário que reservou 16,5 bilhões para o fisiologismo que está acontecendo agora às vésperas das eleições ampliando esse valor para 19 bilhões para o ano que vem”. Daniel Almeida frisou que toda a gestão de Bolsonaro seguiu a mesma lógica, privilegiando o sistema financeiro em detrimento do povo. É um governo “que abandona as políticas sociais, aquilo que diz respeito ao interesse da maioria do povo, dos trabalhadores, como o enfrentamento à fome e outros problemas mais graves do nosso país. Com pouco investimento para infraestrutura. O governo perdeu a capacidade de investir e é isso que está sinalizado para o orçamento de 2023”.


Desvalorização do salário mínimo

O parlamentar ressaltou que a falta de valorização do salário mínimo na LDO é uma política “inaceitável”. Segundo Daniel, “mais uma vez não há nenhuma previsão de aumento real para o salário mínimo”.


O deputado que iniciou sua carreira política no movimento sindicalista, oriundo do interior da Bahia, da agricultura familiar, explicou que essa tem sido uma estratégia adotada nestes quatro anos da gestão bolsonarista e que isso acarreta um aumentou ainda maior das desigualdades regionais e sociais. As regiões mais pobres ficaram ainda mais pobres”, afirmou.


“O governo Bolsonaro vai sair deixando um salário mínimo menor do que quando entrou, zero de valorização. Vai deixar um contingente extraordinário de desempregados e muitos com empregos precários, que a reforma trabalhista produziu a precarização das relações de trabalho. Muita gente mesmo estando com alguma remuneração e que não esteja formalmente desempregado, não é suficiente para dar segurança alimentar, não sabe se terá as três refeições no dia, porque a remuneração ficou cada dia menor”.


Esperança

Daniel Almeida ressaltou que tem esperança que isso possa mudar com a disputa eleitoral de outubro próximo. “Tenho confiança que nós vamos eleger outro projeto, vamos mudar a partir das eleições deste ano, vamos eleger um novo projeto para o país e vamos ter oportunidade de debater esses temas”.


O deputado que tem importante atuação no fortalecimento da agricultura familiar, explicou que a Bahia sofre muito mais do que a maioria das Unidades da Federação com o governo federal, pois tem um território predominantemente no semiárido, com necessidades de políticas públicas para o desenvolvimento da agricultura.


Ele contou que antes do governo Bolsonaro, houve uma política de incentivo à agricultura familiar na Bahia, onde a população teve acesso a essas políticas, “conseguiram estabelecer um processo produtivo, integração social e de qualificação e tudo isso foi interrompido”.


Dessa forma, completa o candidato, “a Bahia tem mais razões para apostar numa mudança desse projeto. Aqui o Lula lidera com muita folga, com um patamar de mais de 70% das intenções de voto. Exatamente pela esperança que ele representa e que é preciso mudar essa trajetória de destruição, perversidade, exclusão, de discriminação que a Bahia tem sido vítima”, elucidou.


Balanço do mandato

Na entrevista, Daniel Almeida falou ainda de sua atuação no mandato federal, dos projetos de sua autoria que foram aprovados e com o seu forte vínculo com os trabalhadores urbanos e do campo, procurando ampliar conquistas. Contou que participou da direção de comissões na Câmara e coordenou a bancada da Bahia em duas oportunidades. “Em todas essas oportunidades incluir os mais pobres no orçamento”.


Ele foi autor da lei que criou o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, comemorado em 21 de janeiro e falou também dos prejuízos que a reforma trabalhista trouxe ao trabalhador e sua luta em defesa da classe trabalhadora em seu mandato.


Reforma Trabalhista

Daniel criticou a medida adotada pelo governo Temer que trouxe enormes prejuízos ao trabalhador. “Houve uma elevação da exploração da mão de obra, precarização de empregos, só degradou o ambiente de trabalho e não gerou nenhum emprego, o desemprego continuou um dos mais elevados do mundo. Não deu certo aqui como não deu certo em outros lugares, como na França, na Espanha”, criticou o parlamentar.


Porém, para o deputado, não basta revogar a reforma trabalhista, é preciso que se faça um pacto de desenvolvimento do Brasil. “Penso que não basta revogar a reforma trabalhista que foi feita, é preciso repactuar as relações de trabalho em nosso país, valorizando o trabalho decente, acabando com a precarização, formalizando o trabalho, ampliando mecanismos de elevação da remuneração. É preciso que se conecte com o projeto de reindustrialização do nosso país”, completou.



Do ponto de vista eleitoral, o parlamentar fez ainda uma avaliação do cenário da disputa nacional, comentou como foi o processo de construção da Federação no estado, das candidaturas da federação e do seu partido, o PCdoB.

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